Gestão em Tempos de Mudanças

O que fazer em tempos de crise e mudanças no Agronegócio?

Vivemos num momento da história em que temos a nítida impressão de que não temos tempo suficiente para cumprir nossa agenda, de que perdemos parte do controle sobre o que acontece ao nosso redor, de que boa parte das reuniões que participamos são pouco produtivas, de que a produtividade do trabalho está aquém do desejado ou do necessário, de que o mundo está se tornando mais rápido, mais dinâmico e mais complexo. E, na prática, para parte significativa dos produtores, empresários rurais, gerentes, gestores e profissionais do agronegócio isso é realidade.

Mas, de fato, o que pode explicar esse fenômeno? O que houve no mundo que justifique esses fatos? Especificamente, no que tange à realidade do Brasil, a resposta pode ser resumida a seis fatores mais relevantes, isto é: (a) a globalização (abertura) da economia em meados da década de 1990; (b) a expansão progressiva do uso da internet motivada pela globalização; (c) a demanda crescente por commodities agrícolas brasileiras nos últimos anos; (d) o aumento do preço nominal das commodities agrícolas a partir da segunda metade da década de 2000; (e) a redução progressiva do lucro operacional e (f) facilidade de aquisição de crédito barato desde meados do ano 2000.

Na prática, em maior ou menor escala, a interação entre esses fatores repercutiu no crescimento da escala dos empreendimentos agropecuários, no aumento das equipes, na diversificação dos setores dentro das empresas, na maior velocidade necessária às tomadas de decisão, ou seja, no aumento da complexidade do gerenciamento do negócio.Com a complexidade crescente do negócio, inúmeros problemas passaram a fazer parte da rotina das fazendas e empresas rurais. Esses problemas vão desde a falta de planejamento e definição de metas financeiras e operacionais claras nos níveis estratégico, tático e operacional,passando pela ausência de definição objetiva e formal das atribuições e responsabilidades dos liderados, comunicação ineficaz, liderança ineficiente, processos indefinidos e não padronizados, excesso de tarefas ou má gestão do tempo, reduzida capacitação da mão de obra até se concretizar na perda de competitividade das organizações, podendo resultar em falência.

Então, o que cabe ao produtor fazer neste momento de crise e mudanças? O primeiro passo é reconhecer e aceitar a mudança na dinâmica dos negócios e, a partir disso, acreditar que novas estratégias e métodos de trabalho passarão a ser necessários. A filosofia, as estratégias e os métodos que garantiram o sucesso no passado, possivelmente, não garantirão o sucesso no futuro. Embora isso seja óbvio, muitos casos de insucesso são frutos da resistência dos gestores em não conduzir as mudanças no momento propício de fazê-las. O segundo passo é agir no sentido de se adaptar às mudanças, avaliando a adequação dos fatores críticos de sucesso, ou seja, a liderança, o conhecimento técnico e o método de gestão ao contexto de negócios. Muitas vezes, um processo de reestruturação passa a ser oportuno. Fato é que empresa nenhuma cresce com solidez e longevidade sem se alinhar, ainda que de forma inconsciente, a esses fatores. O terceiro passo é se cercar de pessoas competentes que estejam em harmonia com a cultura e os valores da empresa para que, junto com os acionistas, possam conduzir às mudanças necessárias para garantir à sobrevivência saudável e longeva do negócio. O quarto passo é alinhar as metas aos processos e executar às ações com pessoas competentes, sendo monitoradas diuturnamente, de modo que os ajustes pertinentes sejam realizados em tempo.

Fazer isso dia sim, e dia também, com disciplina e foco, é o maior desafio dos gestores para sobreviverem em tempos de crise e mudanças, como o que estamos vivendo. Mãos à obra!